Seis prefeitos, cinco deles reeleitos, e alguns destinos de olho em 2022. Nesta sexta-feira, a coluna inaugura uma ferramenta para tentar aferir como estão as possibilidades dos prefeitos de Florianópolis, Chapecó, Criciúma, Jaraguá do Sul, Balneário Camboriú e Tubarão renunciarem até abril do ano que vem para concorrer às eleições. Em todas elas, os titulares dos cargos anunciam ou são especulados como pré-candidatos a governador de Santa Catarina. 

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Renunciômetro:

Antídio Lunelli (Mdb), Jaraguá do Sul – 90%

O prefeito de Jaraguá do Sul é quem menos tem a perder com a renúncia para concorrer em 2022. Reeleito com 70,6% dos votos em 2020, ele programou a saída ao fazer a troca do vice-prefeito – saiu o progressista Udo Wagner e entrou outro empresário, Jair Franzner, do Arroz Urbano, escolhido a dedo por Lunelli e filiado ao Mdb para manter o perfil da gestão e permitir o voo estadual. Vinha conquistando espaço junto às bases do partido até a suspensão da prévia, o que fez voltar a receber convites de outros partidos, como o Podemos. Tirou licença da prefeitura para fazer roteiros políticos pelo interior do Estado. O maior empecilho é a dubiedade sobre a relação do Mdb, especialmente na Alesc, com o governador Carlos Moisés (sem partido).


Gean Loureiro (Democratas), Florianópolis – 75%

O prefeito da Capital também demonstra desejo de ser candidato em 2022 e fez a lição de casa ao trocar o vice-prefeito na reeleição em 2020, quando foi eleito em primeiro turno com 53% dos votos – algo que não acontecia em Florianópolis há 20 anos. Saiu o político João Batista Nunes (Psdb) e entrou o empresário Topázio Silveira Neto (Republicanos). As ressalvas vem da falta de estrutura partidária do Democratas em Santa Catarina. Gean precisa de uma aliança com um partido estruturado para a renúncia que não seja uma aventura e aposta no Psd. Fez um gesto em direção a esse apoio ao dizer em entrevista à Rádio Som Maior que não escolhe posição na chapa.


João Rodrigues (Psd), Chapecó – 45%

Único da lista que não é prefeito reeleito, João Rodrigues ganhou força nos bastidores pela facilidade com que consegue colar o discurso com o do eleitor bolsonarista, que ainda deve ser um grande diferencial político em 2022 no Estado. Tem conseguido capitalizar a relação de amizade que construiu com Jair Bolsonaro (sem partido) ainda no tempo em que eram deputados, especialmente nas duas vezes em que o presidente foi a Chapecó este ano. No Psd, coloca-se como opositor interno do ex-governador Raimundo Colombo e tem viajado o Estado para encontrar aliados no partido. Sua dificuldade é que a ideia de disputar a majoritária não foi construída previamente. Teria que sair da prefeitura antes de completar dois anos no retorno à prefeitura e não tem no vice Itamar Agnoletto (Progressistas) um nome planejado para assumir o cargo.


Clésio Salvaro (Psdb), Criciúma – 35%

Em termos de momento político pessoal, talvez Clésio Salvaro seja o nome mais pronto para renunciar ao cargo e concorrer nas eleições estaduais de 2022. O tucano já bateu no teto do que pode fazer como prefeito de Criciúma. Venceu as últimas quatro eleições na cidade – em uma delas, impedido judicialmente de assumir – e tem mantido o impressionante patamar de 70% dos votos. Além disso, sofre pressão de entidades locais e políticos para que dê esse passo. No entanto, publicamente ele diz que não renuncia e que está, neste momento, apoiando a pré-candidatura de Gelson Merisio (Psdb). Por mais que seja localmente sensibilizado, o discurso do tucano é de que pode esperar 2026. Aparentemente, não construiu a saída da prefeitura na eleição passada ao manter a aliança com o Psd do vice-prefeito Ricardo Fabris.


Joares Ponticelli (Progressistas), Tubarão – 25%

O prefeito de Tubarão construiu a saída da prefeitura. Reeleito com 67,2% do votos, tem no vice Caio Tokarski (Psd) um parceiro de projeto e herdeiro natural. No entanto, Ponticelli se desgastou internamente com o Progressistas, de quem esperava apoio para uma nova tentativa de salto estadual – foi candidato a vice-governador em 2014. Embora receba as declarações públicas de nomes como Esperidião e Angela Amin, Silvio Dreveck e José Milton Scheffer de que apoiam sua pré-candidatura, as conversas de bastidores mostram movimentações do partido em direção a outras possibilidades. Com isso, cresceu a chance de Ponticelli continuar prefeito ou disputar a vaga de deputado federal.


Fabrício Oliveira (Podemos), Balneário Camboriú – 15%

O prefeito de Balneário Camboriú colocou-se no jogo da majoritária enquanto boa parte dos correligionários ainda tinha esperança de filiar Antídio Lunelli (Mdb) para ser o candidato do partido. Ocupou o espaço e fez algumas visitas a outras regiões. Colocou-se como pré-candidato a governador, embora possa ocupar outras vagas na majoritária. No entanto, a aspiração não parece ter engajado os colegas de partido. Além disso, a renúncia de Fabrício daria a prefeitura ao vice Carlos Humberto (Pl), aliado do senador e pré-candidato a governador Jorginho Mello (Pl), que dificilmente estará no mesmo projeto do Podemos. 

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