Manifesto

Qual é o papel do jornalismo político nesta época em que vivemos?

Aqui no Upiara Online a resposta a essa pergunta será sempre a busca da informação relevante. Com independência e equilíbrio. ”Ser relevante sem olhar a quem” pode ser um bom mote para esta carta de princípios, intenções e ambições.

Nesse momento em que o jornalismo e a política estão tão fragilizados por narrativas que tentam descredenciá-los em seus papéis de intermediários da informação (que chega às pessoas) e do poder (que delas emana), isso importa cada vez mais.

No ano em que completo 15 anos acompanhando a política catarinense de perto, passo a viver o novo desafio de ter o meu próprio canal, um espaço de independência e de liberdade para esse jornalismo político em que acredito.

Minha promessa no Upiara Online, ou meu compromisso (como preferem dizer marqueteiros) é seguir fazendo como repórter, editor e colunista o que sempre fiz no jornalismo: fugir das narrativas prontas. Este Upiara Online quer ser um ponto de encontro seguro entre todos os que pensam, especialmente entre os que pensam diferente. Um lugar onde todas as posições políticas são tratadas com respeito. Onde não se supervaloriza os eleitos, nem se invisibiliza os derrotados pelas urnas, onde os governantes são criticados e elogiados – sempre de graça. O compromisso com o leitor está sempre acima de tudo. Se a relevância é a bússola e a seriedade é o caminho, o norte é a credibilidade perene, e eu espero contar com vocês nessa jornada.

Há 95 anos, com espírito semelhante, Crispim Mira – mártir do jornalismo catarinense – lançou seu próprio jornal. Era o Folha Nova. O primeiro exemplar trazia ao lado do logotipo um pequeno manifesto, carta de intenções, de onde eu tirei a inspiração para apresentar o Upiara Online. Conhecer o passado para entender o presente e projetar o futuro é um dos princípios do meu jeito de fazer jornalismo. Respeitar símbolos e gestos, é outro. Por isso, encerro este texto sobre princípios com o pequeno manifesto de Mira – assassinado na redação de seu Folha Nova poucos meses após tê-lo escrito. Fazem parte da alma deste projeto que quero construir:

“Preferimos informar a comentar, preferimos elogiar a censurar, mas não elogiaremos o erro e nem censuraremos o bem. Em qualquer caso, desejamos ser, sempre, otimistas, tolerantes e corteses. Temos um horizonte: a bondade, o afeto ou o cavalheirismo em todas as emergências e o júbilo da vida em todas as situações. É nosso ideal congraçar, construir, resistir à treva e homenagear a luz. Dê-nos o povo seu amparo e certo que não soçobraremos em meio da jornada”

(Crispim Mira, Folha Nova, 18 de novembro de 1926)