Quatro vezes candidato a governador, vitorioso em duas delas, o senador Esperidião Amin (Progressistas) está à disposição para uma quinta disputa em 2022. Entrevistado pelos jornalistas Upiara Boschi e Adelor Lessa no quadro Plenário, na Rádio Som Maior, ele disse que o Progressistas (PP) precisa ter candidato a governador para reforçar as candidaturas a deputado estadual e federal do partido e que a definição do nome para concorrer será feita ainda este ano.

– Teremos uma eleição diferente no ano que vem. A ausência de coligação na eleição proporcional, obriga a que um partido como o Progressistas tenha candidato a governador. Sob pena de não escalar um time e não ter um desempenho proporcional ao bom desempenho que o partido teve em 2020, elegendo um número expressivo de prefeitos. É uma decisão muito serena de que o partido precisa tomar e eu acho que o espírito de que não podemos deixar de escalar um time completo, acho que vai se consolidar com toda certeza até setembro, outubro deste ano – afirmou.

O tema foi discutido em reunião remota do partido na última segunda-feira. Segundo Amin, serão feitas reuniões frequentes para definir a postura da legenda em 2022 e a construção do nome. Ele defendeu o lançamento do nome do prefeito Joares Ponticelli, de Tubarão, mas não excluiu a possibilidade de disputar o governo mais uma vez.

– Eu não refugo e nem digo que não pode acontecer. Eu só não estou disputando. Se colocarem em votação, eu voto em Joares Ponticelli. O Joares Ponticelli, por sua vez, tem que analisar, e é normal que quem está em um mandato e está indo bem tenha que prestar contas ao eleitor que o elegeu na eleição do ano passado. Ele teve uma eleição consagradora e está desenvolvendo programas, relançando projetos. Uma pessoa com essa capacidade deve considerar os aspectos do cargo que esteja exercendo – afirmou.

Amin evitou comentar os rumores de que o governador Carlos Moisés (PSL) poderia migrar para o Progressistas. Disse não ter participado de nenhuma conversa sobre isso.

– Eu também ouvi muita coisa a respeito disso. Comigo essa conversa não houve. Certamente o governador Moisés deve estar considerando as alternativas de disputar ou não disputar e em que sigla se abrigar. Agora, eu não participei de nenhuma conversa nesse sentido. Não raciocinarei sobre hipótese. Tenho apreço pelo governador, conversamos várias vezes nos momentos mais difíceis que ele atravessou. Mas não conversei sobre esse assunto e não vou emitir juízo de valor – disse.

Ele disse que o apoio que o partido tem dado ao governo, inclusive com a participação do deputado estadual Altair Silva como secretário de Agricultura, não está atrelado a 2022 e que “o governador Moisés vai ter que definir a vida dele do ponto de vista político e o nosso partido, como outros que estão no governo, vai definir o seu caminho”.

– A relação do nosso partido com o governo Moisés é uma relação muito clara, explicitada e que conta com a minha compreensão e com meu apoio. Acho que Santa Catarina saiu de uma situação cruel que foram os processos de CPI e impeachment. Dar um mínimo de estabilidade e governabilidade é um mínimo de dever político quando se vivem situações como estamos vivendo, tanto na política quanto na saúde pública e nas incertezas meteorológicas. Conviver com esses problemas e não ter uma base parlamentar se mostrou trágico – avaliou.

Em relação à disputa presidencial do ano que vem, Amin disse que votou em Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018 e que o Progressistas integra a base de apoio do presidente. Fez críticas à CPI instalada no Senado para investigar erros na gestão do combate à pandemia.

– Minha tendência pessoal é preservar meu voto para o governo do presidente Jair Bolsonaro. Com uma posição de independência para cobrar dele que faça justiça à sociedade catarinense. Por exemplo, nas questões das obras de infraestrutura. Sou amigo do Bolsonaro e vejo com muita preocupação o desenrolar dessa CPI, que pode até prestar um bom serviço ao país, mas é inoportuna. Fazer uma CPI sobre erros no combate à covid, uma guerra que não acabou ainda, é dispersão de energia. Ver o ministro da saúde (Marcelo Queiroga) passar um dia inteiro, mais uma vez, respondendo perguntas e muitas vezes agressões, é uma coisa inédita no mundo.

Ouça a íntegra da entrevista:


Sobre a foto em destaque:

Esperidião Amin (Progressistas) em registro de participação em sessão remota do Senado. Em entrevista à Rádio Som Maior, ele disse que o Progressista terá candidato a governador e colocou o nome à disposição. Foto: Waldemir Barreto, Agência Senado.